Resposta rápida: A medicina e a astrologia clássicas acreditavam que o humor dominante de uma pessoa aparecia no corpo. Assim, cada um dos quatro temperamentos tinha uma "compleição" reconhecível: uma constituição, um tom de pele e um porte próprios. O colérico era magro e amarelado. O sanguíneo, corado e cheio. O melancólico, escuro e seco. O fleumático, pálido e mole. A fisiognomia lia esses sinais e os ligava ao Ascendente e ao seu signo regente.
Na linguagem antiga, "compleição" não se referia apenas à pele. Referia-se a toda a mistura de qualidades que compunham uma pessoa, ou seja, ao modo como o quente, o frio, o úmido e o seco se combinavam no corpo. Acreditava-se que essa mistura vinha à superfície na carne. Um olho treinado, portanto, podia ler o temperamento por fora. Este texto examina esse ofício, a fisiognomia, e como ele unia o corpo ao signo.

A Compleição como a Mistura, Não a Pele
Para Galeno e os médicos que o seguiram, o krasis do corpo (seu temperamento ou compleição) era a proporção entre as quatro qualidades. Um corpo bem misturado estava em equilíbrio. Quando uma qualidade se adiantava, o corpo assumia a marca dela. Como se acreditava que os humores governavam a carne, a gordura, o sangue e a cor, a forma exterior se tornava uma superfície que dava para ler. Um corpo quente e seco queimava magro e ágil. Um corpo frio e úmido assentava mole e pálido. Ler os quatro temperamentos na carne era, então, ler as qualidades tornadas visíveis. E são justamente as qualidades primárias por trás dos elementos que a fisiognomia dizia enxergar.
As Quatro Compleições no Corpo
Cada temperamento tinha uma assinatura clássica de constituição e cor. Esses retratos aparecem por toda a medicina galênica, nos textos medievais de regime de saúde e nos manuais renascentistas de fisiognomia.
| Temperamento | Elemento e qualidades | Humor | Compleição clássica | | --- | --- | --- | --- | | Colérico | Fogo, quente e seco | Bile amarela | Magro, enxuto, musculoso; pele amarelada ou pálida; traços afiados; porte ágil e enérgico | | Sanguíneo | Ar, quente e úmido | Sangue | Cheio, bem carnado, corado; coloração clara ou rubra; rosto aberto e alegre | | Melancólico | Terra, frio e seco | Bile negra | Seco, esguio ou de estrutura franzina; coloração mais escura, amarelada ou oliva; porte grave e imóvel | | Fleumático | Água, frio e úmido | Fleuma | Mole, arredondado, carnudo; coloração pálida ou branca; traços suaves; movimento lento e plácido |
A lógica vem direto das qualidades. A secura era lida como magreza e carne firme; a umidade, como maciez e fartura. O calor era lido como cor e agilidade; o frio, como palidez e lentidão. Por isso o colérico, quente e seco, saía magro e colorido. O fleumático, frio e úmido, saía mole e pálido. O melancólico e o sanguíneo ocupavam os outros dois cantos da mesma grade.
O Signo e a Assinatura do Ascendente
A astrologia mapeava essas mesmas compleições sobre o zodíaco por meio dos elementos, e sobretudo por meio do signo ascendente. Os autores clássicos sustentavam que o Ascendente e seu planeta regente moldavam o corpo mais do que o Sol. Por isso o signo no horizonte era a primeira coisa que um astrólogo tradicional pesava para avaliar a forma física.
- Signos de fogo (Áries, Leão, Sagitário) carregam a assinatura colérica: magros, coloridos, enérgicos, com o corte marcial ou solar.
- Signos de ar (Gêmeos, Libra, Aquário) carregam a assinatura sanguínea: bem proporcionados, de sangue quente, sociáveis no porte.
- Signos de terra (Touro, Virgem, Capricórnio) carregam a assinatura melancólica: sólidos ou secos, de tom mais frio e escuro, aterrados e imóveis.
- Signos de água (Câncer, Escorpião, Peixes) carregam a assinatura fleumática: mais moles, mais pálidos, arredondados, com uma calma receptiva.
O Tetrabiblos de Ptolomeu dedica atenção real à forma e à cor que os signos e planetas dão ao nativo. Autores posteriores, como Culpeper e os escritores dos almanaques, levaram as mesmas descrições para a astrologia médica inglesa. Na prática, a leitura nunca dependia de um único fator. O signo ascendente, seu regente, a Lua e a estação do nascimento eram combinados, tal como os próprios humores.
De Onde Veio a Fisiognomia
O hábito de ler o caráter e a constituição a partir do corpo é antigo. Um tratado chamado Physiognomonica, transmitido junto às obras de Aristóteles, expôs como a constituição, a cor e os traços revelariam a disposição de cada um. Galeno amarrou firmemente essa tradição aos humores. Depois, o Cânone da Medicina de Avicena deu aos médicos um relato sistemático da compleição e de seus sinais. Na Renascença, a fisiognomia era uma arte popular e tomava livremente da astrologia, já que ambas diziam ler as mesmas quatro qualidades: uma na carne, a outra no mapa. O Homem Zodiacal, que mapeia os signos sobre o corpo da cabeça aos pés, pertence à mesma família de ideias.
Perguntas Frequentes
A palavra compleição significa cor da pele aqui?
Não originalmente. Na medicina clássica, "compleição" era toda a mistura das quatro qualidades no corpo, o krasis ou temperamento. O tom de pele era só um dos seus sinais exteriores, ao lado da constituição, da carne, da cor e do porte. O sentido moderno da palavra, restrito à pele, veio muito depois.
Qual signo dá qual tipo de corpo?
Classicamente, os signos de fogo dão a constituição colérica, magra e colorida; os de ar, a sanguínea, cheia e corada; os de terra, a melancólica, seca e mais fria; e os de água, a fleumática, mole e pálida. O signo ascendente e seu regente pesavam mais do que os outros fatores, e a leitura era sempre uma combinação, nunca um rótulo único.
Dá mesmo para ler o temperamento de alguém pela aparência?
Na tradição, sim. A fisiognomia sustentava que o temperamento vinha à superfície na constituição e na cor. Um leitor treinado interpretava esses sinais somando o corpo ao signo. Hoje esses retratos clássicos valem como simbolismo e história, uma janela para o modo como a medicina antiga pensava o corpo.
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