Resposta rápida: A botânica astrológica atribuía cada planta a um dos sete planetas, de modo que a natureza e o uso de uma erva eram lidos a partir de seu regente celeste e de suas qualidades humorais. O herbário de Nicholas Culpeper, de 1653, é a famosa chave inglesa.
Para o antigo herborista, uma planta jamais era apenas uma planta. Ela trazia o selo de um planeta, e conhecer esse regente era conhecer o temperamento da erva: suas virtudes e a hora certa de colhê-la. A esse saber se dá o nome de botânica astrológica, o ramo verde da astrologia médica. Sua voz mais citada é a de um jovem e raivoso boticário de Londres chamado Culpeper.

Cada Planta Sob um Planeta
A ideia central era a regência: cada um dos sete planetas clássicos governava uma família de plantas que compartilhava sua qualidade. Marte tinha ervas quentes e ígneas; a Lua e Vênus, ervas refrescantes e suavizantes; Saturno, raízes frias e adstringentes. Ler uma erva, portanto, era ler seu planeta e, através dele, sua ação sobre os quatro humores do corpo: aquecer, resfriar, umedecer ou secar. Essa mesma lógica de regência celeste aparece nas dignidades planetárias do mapa natal.
| Planeta | Ervas de exemplo (históricas) | Qualidade e uso na medicina antiga |
|---|---|---|
| Sol | Camomila, calêndula, alecrim | Aquecedora, fortalecedora, "cordial" |
| Lua | Salgueiro, repolho, pepino | Fria e úmida, refrescante |
| Mercúrio | Lavanda, funcho, valeriana | Aérea, para a mente e a respiração |
| Vênus | Rosa, tomilho, verbena | Suave, aquecedora, calmante |
| Marte | Urtiga, alho, mostarda | Quente e seca, pungente, "cortante" |
| Júpiter | Sálvia, borragem, dente-de-leão | Temperada, alegre, "para o fígado" |
| Saturno | Confrei, cicuta, meimendro | Fria, secante, adstringente, muitas vezes tóxica |
A Rebelião de Culpeper
Nicholas Culpeper trabalhou em Londres nas décadas de 1640 e 1650. Ele fez inimigos ao traduzir a farmacopeia latina dos médicos para o inglês simples, de modo que qualquer pessoa comum pudesse lê-la. Em 1652 escreveu The English Physitian, o herbário depois reeditado como Complete Herbal. Nele, nomeava o planeta regente de cada planta e aplicava a doutrina da "simpatia e antipatia": tratar uma doença com uma erva do mesmo planeta que rege a parte do corpo afetada, ou com uma erva regida pelo planeta oposto ao que causa o mal. Era medicina galênica (a medicina clássica organizada em torno dos quatro humores) com o índice de um astrólogo.
A Doutrina das Assinaturas
Ao lado da regência planetária corria outra ideia, a doutrina das assinaturas: a crença de que a própria aparência de uma planta revelava seu uso. Acreditava-se que a noz, com formato de cérebro, era boa para a cabeça. Uma flor amarela servia para tratar a icterícia. E a raiz da mandrágora, com sua forma de homenzinho (visível na imagem acima), marcava a planta como algo de estranho poder sobre o corpo inteiro. Escritores renascentistas como Paracelso e della Porta deram a essa ideia sua forma mais completa. Trata-se de simbolismo: um modo de ler significado na própria forma das coisas.
Colher pela Hora
O momento da colheita completava o ofício. Os herboristas colhiam cada planta no dia e na hora planetária de seu regente, muitas vezes também numa fase escolhida da Lua, para que a erva estivesse "no auge de sua virtude". Uma erva do Sol, por exemplo, era cortada no domingo, numa hora solar; já uma raiz de Saturno era colhida no sábado. Esses eram os mesmos dias planetários da semana que ainda dão nome ao nosso calendário. Assim, o cuidado com o corpo e a colheita de seus remédios seguiam o mesmo compasso do céu.
Uma História Verde, Não uma Farmácia
O antigo herbário é uma obra de simbolismo e prática popular, não um manual de tratamento. Muitas das plantas nele descritas estão entre as mais venenosas da Europa, como a cicuta, o meimendro e a mandrágora, e boa parte delas continua perigosa hoje.
Perguntas Frequentes
O que é botânica astrológica?
É a tradição de atribuir a cada planta um regente planetário e ler suas virtudes medicinais a partir desse planeta e das quatro qualidades humorais (quente, frio, úmido, seco). Uma erva de Marte era quente e pungente; uma de Saturno, fria e adstringente. O herborista associava a planta ao sintoma seguindo as regras de simpatia e antipatia.
Quem foi Nicholas Culpeper?
Culpeper foi um boticário londrino do século XVII que escreveu um herbário inglês imensamente popular, publicado em 1653. Ele listava o regente planetário de cada planta e traduzia os textos latinos dos médicos para a língua comum, o que o tornou, ao mesmo tempo, famoso e controverso em sua época.
É seguro usar essas ervas?
Não. Muitas das plantas citadas nos antigos herbários são tóxicas. A tradição sobrevive hoje como história e simbolismo, não como farmácia, e a cicuta, o meimendro e a mandrágora estão entre as mais perigosas.
Explore o Simbolismo
Para ver os regentes planetários e o equilíbrio elemental a partir dos quais os antigos herboristas trabalhavam, calcule um mapa natal gratuito ou leia sua constituição por meio de um relatório de saúde, que se apoia no temperamento clássico, e não na adivinhação. Para mais técnica tradicional explicada de forma simples, navegue pelo blog.