Saúde

Sangria e a Lua: o momento da flebotomia na astrologia médica

Os médicos medievais escolhiam a hora da sangria pela Lua, evitando abrir a veia da parte do corpo regida pelo signo que a Lua atravessava. Veja como a regra funcionava.

·11 de junho de 2026·7 min de leitura·Atualizado 6 de julho de 2026

Resposta rápida: Na astrologia médica tradicional, os médicos escolhiam a hora da sangria, ou flebotomia, pela Lua. A regra comum era evitar abrir uma veia na parte do corpo regida pelo signo que a Lua atravessava, observando também a fase e os aspectos lunares.

Para um médico formado antes da era moderna, sangrar o paciente era tratamento de rotina, e escolher a hora era metade da arte. A Lua lhe dizia quando pegar a lanceta e quando esperar. O que se segue descreve essa medida do tempo já perdida como história.

Uma figura medieval da sangria, o Aderlassmann, um homem em pé com linhas vermelhas marcando cada veia que um cirurgião poderia abrir, cada uma identificada.
O homem da sangria (Aderlassmann), marcando as veias usadas na flebotomia, manuscrito médico alemão, século XV. Domínio público.

O que a flebotomia significava na medicina antiga

A medicina clássica, de Hipócrates a Galeno, sustentava que a saúde era o equilíbrio dos quatro humores: sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A doença costumava ser lida como um excesso, uma plétora, de um humor. A sangria era o remédio direto contra esse excesso, drenando a matéria que se acreditava sobrecarregar o organismo. Galeno escreveu longamente sobre quando e quanto retirar, e suas regras governaram a prática europeia e islâmica por mais de mil anos. O mapa do cirurgião era o "homem da sangria" acima, uma figura cercada pelas veias que ele podia abrir, das têmporas aos tornozelos.

A regra da Lua

A regra de tempo que uniu isto à astrologia era simples de enunciar. A Lua governa a umidade e as marés do corpo, e passa por um signo do zodíaco a cada dois dias e meio, aproximadamente. Cada signo rege uma região do corpo pela melotesia zodiacal, o esquema da cabeça aos pés do Homem do Zodíaco. Os médicos medievais e do início da era moderna ensinavam que não se devia cortar ou tirar sangue do membro regido pelo signo que a Lua ocupava naquele momento, pois se pensava que essa parte estava mais vulnerável enquanto a Lua a inflamava.

| Lua no signo | Parte do corpo regida | Tradicionalmente evitado para a lanceta | | --- | --- | --- | | Áries | Cabeça, rosto | Sangria na cabeça | | Touro | Pescoço, garganta | Veias do pescoço e da garganta | | Gêmeos | Braços, ombros, mãos | Veias dos braços | | Câncer | Peito, estômago, seios | Região do peito | | Leão | Coração, parte superior das costas | Região do coração e das costas | | Virgem | Ventre, intestinos | O abdômen | | Libra | Rins, região lombar | A região lombar | | Escorpião | Órgãos genitais, bexiga | O baixo-ventre | | Sagitário | Quadris, coxas | Veias das coxas | | Capricórnio | Joelhos | Os joelhos | | Aquário | Panturrilhas, tornozelos | As pernas | | Peixes | Pés | Os pés |

Esta tabela registra uma convenção histórica de tempo.

Crescente, minguante e a fase da Lua

Além do signo, a fase importava. Como se acreditava que a Lua fazia inchar os fluidos do corpo assim como inchava as marés, muitos autores sustentavam que os humores corriam mais cheios na Lua crescente e cheia e mais ralos quando ela minguava. Alguns liam isto como a melhor janela para drenar um excesso, outros como o momento de segurar a mão. Os aspectos da Lua também eram pesados: uma Lua que se aproximava de Saturno ou de Marte, os dois maléficos, aconselhava cautela, enquanto um aspecto de apoio de Júpiter ou de Vênus era lido como favorável. Observar as fases da Lua fazia parte do cálculo tanto quanto o signo.

A veia e a doutrina da revulsão

Qual veia abrir seguia a sua própria lógica. A doutrina da revulsão tirava o sangue longe do problema para puxar o humor para longe, enquanto a derivação o tirava por perto para conduzir o humor pelo seu caminho. A figura da sangria servia ao cirurgião como um mapa de veias nomeadas, cada uma ligada a uma região e a uma queixa. A regra astrológica se assentava sobre essa anatomia, um filtro de tempo posto sobre um mapa de lugar.

Do almanaque a Culpeper

Por séculos quase todo almanaque impresso trazia o Homem do Zodíaco justamente para que uma família pudesse verificar onde estava a Lua antes de qualquer sangria. O médico inglês Nicholas Culpeper, escrevendo na década de 1650, incorporou essas cautelas lunares às suas obras populares, e seu método da decumbitura observava o movimento da Lua rumo aos "dias críticos" de uma doença. O mesmo instinto, o de que o signo e a fase da Lua moldam o momento, atravessa toda a tradição que também produziu a Parte da Doença.

Perguntas frequentes

Por que os médicos marcavam a sangria pela Lua?

Acreditavam que a Lua governava a umidade do corpo e fazia inchar os seus humores assim como inchava as marés, de modo que o seu signo e a sua fase marcariam quando uma parte do corpo estava mais vulnerável ou mais pronta para ser aliviada. Era uma convenção de tempo posta sobre a medicina humoral de Galeno, não uma ciência independente.

Qual signo era evitado para qual parte do corpo?

Pela melotesia zodiacal os signos correm da cabeça aos pés, então a Lua em Áries aconselhava contra a sangria na cabeça, em Touro na garganta, e assim por diante até Peixes e os pés. A ideia era evitar trabalhar no membro que se pensava que a Lua então inflamava.

A sangria lunar é usada na medicina de hoje?

Não. Tanto a sangria de rotina quanto o seu momento astrológico pertencem à história da medicina.

Explore a tradição

Para ver onde a Lua e os signos corporais clássicos caem no seu próprio mapa, gere um mapa astral gratuito e leia as posições como fariam os antigos médicos, ou estude a sua constituição humoral por meio de um relatório de saúde. Para mais técnica tradicional explicada com clareza, visite o blog.

Raşit Akgül

Sobre o autor

Raşit Akgül

Raşit Akgül é desenvolvedor de software e pesquisador de astrologia, e o fundador da AstroAk.

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